A apropriação dos logotipos

“Logorama” é o novo curta metragem criado pelo trio francês H5. O filme de 17 minutos foi desenvolvido com apenas logos de marcas existentes no mercado.

Desde o cenário, até os personagens são compostos por logos. A história não foge dos padrões hollywoodianos, que contém perseguições, mistério e até a musa da vez. A diferença é que todos esses personagens não são estranhos para nós, variando de Ronald McDonald até boneco da Michelin (um tanto perturbador).

O curta tem uma montagem incrível e o modo como os logotipos foram apropriados e associados é demais. Vale muito a pena conferir!

Confiram o trailer do curta:

epidemia hipermidiática

O conceito de hipermídia pode-se resumir em “uma linguagem polivalente que, a par das questões formais de justaposição e associação, também inclui a inter-relação ou colisão entre texto, imagem e som em camadas espaciais e temporais” (Santaella, in Araújo, 2006:198).

Basicamente definindo este conceito, hipermídia é a linguagem que melhor integra as matrizes verbal, sonora e visual. Não é apenas o meio, mas a linguagem toda que engloba.

Hoje, a internet é a era que melhor trabalha com este tipo de linguagem, mas ainda não podemos dizer que temos completo domínio da hipermídia. A quantidade de textos escritos ainda é muito grande comparado as outras formas de expressão de mensagens, e nota-se facilmente que a compreensão da mensagem por textos ainda é muito mais próxima das pessoas.

Entretanto, as pessoas estão percebendo que “sair do comum”, e mudar o jeito que se passa a mensagem desejada pode chamar muito mais a atenção do expectador, e garantir maior impacto no público alvo.

Um dos casos mais interessantes, na minha opinião, foi uma das ações de divulgação da série “Capitu”, transmitida pela Rede Globo no fim de 2008.

O clássico de Machado de Assis “Dom Casmurro” foi dividido em 1000 trechos que foram disponibilizados em um site criado especialmente pela ação, nomeada Mil Casmurros. Lá, quem bem entendesse poderia gravar o trecho que quisesse e divulgar no site. A intenção era gerar uma leitura coletiva, e aproximar mais o livro das pessoas.

Muitos artistas colaboraram com a ação, que foi muito bem sucedida. Não apenas pela mecânica em si, mas pelo modo encontrado de transformar um texto linear escrito por um dos maiores escritores brasileiros em um portal onde as pessoas se sentiam parte da criação desta obra, e encontravam uma forma completamente inovadora de interagir com ela.

Visite o site: www.milcasmurros.com.br

visual do site

visual do site

Pelo prazer de assistir

O post de hoje tem a intenção de relembrar um belo comercial da anunciante Volkswagen Brasil criado em 2007, para o novo Golf. Lançado pela agência AlmapBBDO em abril do mesmo ano, o filme de aproximadamente dois minutos faz referência ao famoso clássico Forrest Gump. Várias cenas do clássico são reproduzidas no filme publicitário, com a diferença de que o prazer de correr do protagonista Forrest é substituido pelo prazer de dirigir um Volkswagen, que é afinal o posicionamento da campanha: “Novo Golf. Pelo prazer de dirigir“.
O comercial foi adaptado a várias versões menores, e teve uma recepção muito favorável dos expectadores. Em primeiro lugar, pela excelente apropriação do filme e também pela produção do comercial em si, que foi fiel a pequenos detalhes do filme de Robert Zemeckis. Além do comercial, um hotsite acompanhou a ação e os consumidores podiam acessá-lo e se informar mais sobre o carro.

Versão completa do comercial:

Vão com calma, pessoal!

Com o avanço tecnológico e o crescimento das redes sociais, o consumidor não apenas se aproximou mais do mundo, como ganhou grande poder de gerar conteúdo. Mais até do que isso, além de criar e divulgar o que bem pensar, ele tem a facilidade de encontrar pessoas com opiniões e interesses semelhantes, podendo tornar-se gigante.

É certo que é uma grande oportunidade para as empresas darem tiros mais certeiros em relação ao público, sem grande dispersão ou ruídos causados pelas antigas mídias de massa. Entretanto, há um grande problema. Qualquer “bola fora” pode ser fatal. Imagine todos os consumidores de certo produto reunidos. Dividindo experiências, opiniões pessoais e problemas. As consequências de possíveis erros na comunicação podem tomar proporções muito maiores.

Por isso, mais do que contratar “profissionais especializados em mídias sociais” (a última moda do universo publicitário) e entrar nelas, as agências e seus clientes têm que tomar muito cuidado na hora de agir. Só o estudo dessa nova forma de relacionamento não é suficiente. Deve-se em primeiro lugar estudar o target como nunca antes. Prever reações e consequências de cada ação. Afinal, ele continua sendo o mesmo alvo de sempre, apenas mais fácil de ser encontrado e agora com maior poder influenciador.  

Post baseado na matéria de Marili Ribeiro, Estadão: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090810/not_imp416182,0.php

 

Transformers em ação

O tema escolhido por mim neste blog é a metalinguagem presente em anúncios publicitários.

Neste primeiro post sobre o assunto, vou citar um importante comercial criado pela agência Euro RSCG de Londres, para a montadora francesa Citroën.

Chamado de “Carbot”, o comercial faz referência ao filme Transformers, de Steven Spielberg, que por sua vez é baseado nos famosos desenhos e brinquedos infantis.

O que era pra ser um simples comercial de tv, Carbot se transformou em um viral de sucesso na internet (mais até do que na tv) e nos festivais publicitários do mundo inteiro. Criado para o lançamento do C4, o filme mostra o carro que se transforma em robô e dança ao som de “Les Rythmes Digitales”, banda-de-um-homem-só do DJ francês Jacques Lu Cont. No fim, a frase “alive with technology” fecha o comercial.

O filme comercial inicialmente não agradou muito os consumidores, que muitas vezes relacionam metalinguagem à falta de criatividade. Já com olhos profissionais, a animação cumpriu todos os seus objetivos. Posicinou a Citroën como marca atual, associou-a a tecnologia, além de gerar buzz e ganhar inúmeros prêmios.

Reflexão sobre a liberdade

Flusser acreditava que o único caminho para a liberdade estaria na vida em um mundo livre, onde as pessoas não seriam dominadas por seus aparelhos. E daí a importância da tal filosofia da fotografia…

Convenhamos que hoje em dia as pessoas não apenas estão cada vez mais confortáveis na posição de escravos da tecnologia, como também não seriam capazes de dominá-la.

É claro que eu me refiro a massa passiva que povoa o mundo, não se preocupe. Mas a questão é que no modelo em que a vida moderna está estruturada, a relação superficial entre homens e máquinas que tanto incomodava Flusser parece se encaixar perfeitamente na impessoalidade proporcionada pelas novas mídias.

São incontáveis blogs, redes sociais, chats, e ninguém sabe ao menos quem está do outro lado da tela. A velocidade do mundo 2.0 nos obriga a criar relações efêmeras e superficiais, e criar meios de fingir que estamos interagindo com o resto do mundo. (Vale lembrar que eu não estou colocando em questão os benefícios proporcionados pelas novas mídias e do poder emissor que os receptores ganharam. Essa não é a intenção deste post).

Retomando o pensamento, acredito que a relação de uso que se estabelece com as máquinas não está em desequilíbrio. A liberdade questionada por Flusser já ultrapassou a barreira mecânica e se tornou um problema social. De que adianta mais “branquear a caixa preta” dos eletrônicos, se a superficialidade está na população?

As pessoas não são escravos apenas de seus aparelhos, como de uma estrutura social completa. Não que eu seja contra as novas mídias, muito pelo contrário. Elas ilustram perfeitamente o modo de como a vida moderna está estabelecida. Não discordo de Flusser, apenas acho que passou-se o tempo em que esta liberdade era alcançável, é um ensaio atrasado.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.